O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pode participar da cúpula do G20 em Miami, nos Estados Unidos, prevista para dezembro. A informação foi confirmada pelo Kremlin após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sugerindo a presença do líder russo no evento. Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, Putin “pode ir ou não ir” à reunião, destacando que a decisão ainda não está fechada. A Rússia será representada “adequadamente” na cúpula, independentemente da presença de Putin.
A possível ida de Putin ao G20 ocorre em um contexto de tensão geopolítica e instabilidade econômica global. O líder russo não participa de uma cúpula do G20 desde 2019, inicialmente devido à pandemia de Covid-19 e, posteriormente, em razão da guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, que aprofundou o isolamento diplomático russo. A presença de Putin nos Estados Unidos também chama atenção pelo contexto jurídico internacional, pois ele é alvo de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por acusações relacionadas a crimes de guerra na Ucrânia. No entanto, os Estados Unidos não são signatários do tribunal, o que elimina a obrigação legal de cumprimento da ordem em território norte-americano.
A cúpula do G20, que reúne as principais economias do mundo, incluindo Brasil, China, Estados Unidos e Rússia, deve ocorrer em um cenário de forte tensão geopolítica e instabilidade econômica global. As autoridades dos dois países afirmam que a agenda do encontro será extensa, com debates sobre conflitos internacionais, segurança energética e impactos econômicos das guerras em curso. O presidente Trump havia indicado publicamente que seria “útil” a participação do líder russo e que a exclusão da Rússia do antigo G8 teria sido um erro. Além disso, Trump também afirmou duvidar da presença de Putin, mas defendeu o diálogo com diferentes atores internacionais.
A Rússia já foi convidada para o G20 deste ano e aceitou a participação em nível diplomático. Ainda não há confirmação sobre quem representará o país caso Putin não compareça. A presença de Putin nos Estados Unidos pode ser um indicativo de uma possível distensão nas relações entre os dois países, mas também pode ser um desafio para o governo Trump, considerando as críticas internacionais à política externa dos Estados Unidos.
