50 Cent acaba de transformar uma rusga de quinze anos em série de TV: o documentário “Diddy: Do Bad Boy ao Boiadeiro” estreou na Netflix na última sexta, dentro do selo G-Unit Film & TV, e já desponta como um dos títulos mais assistidos do fim de semana. A produção promete revisitar a trajetória de Sean “Diddy” Combs sob a lente do próprio Curtis Jackson, que assina o roteiro e narra os episódios com o sarcasmo que fez fama. A plataforma liberou de uma vez os seis capítulos de 45 minutos, formato que permite maratona e reativa discussões antigas sobre os dois impérios construídos – e sobre o que restou deles depois de brigas públicas, processos e, agora, a prisão do fundador da Bad Boy Records.
O roteiro não segue linha do tempo tradicional; salta entre os anos 90, o auge das parcerias de Diddy com Notorious B.I.G. e a explosão do hip-hop na costa leste, até os últimos meses de 2024, quando o empresário foi detido. Entre entrevistas com jornalistas, ex-funcionários e produtores que passaram pelo estúdio Daddy’s House, 50 Cent insere gravações caseiras em que relata seu desconforto pessoal com o que chama de “energia deslocada” do rival. A trilha sonora é outro trunfo: versões remasterizadas de clássicos da Bad Boy aparecem em cenas, mas ganham contraponto com faixas de G-Unit, reforçando a ideia de embate musical. O episódio dedicado ao mercado de bebidas alcoólicas mostra a queda de vendas da vodka Cîroc depois que o próprio Diddy deixou de ser garoto-propaganda e contrapõe ao crescimento da Effen, de 50 Cent, sem soar como comercial disfarçado – é mais um recorte de como negócios pessoais viraram campo de guerra.
A direção é de Andrew “Drew” Brown, nome por trás de séries de esportes para a ESPN, mas aqui em estilo mais próximo de doc-sensação: câmera na mão, closes em paparazzi e infográficos que exibem tuítes antigos. O diferencial fica por conta dos depoimentos inéditos de Daphne Joy, ex-companheira de 50 Cent e mãe de seu filho, que rebate rumores de envolvimento com Diddy sem confirmar nem negar, mas admite ter frequentado festas do produtor logo após o término. Esse trecho alimenta a narrativa de que a motivação pessoal do rapper vai além de rivalidade profissional. A série também aproveita imagens de arquivo de festas badaladas em Miami e Nova York para mostrar como a distância entre os dois personagens cresceu: enquanto Diddy cercava-se de celebridades, 50 aparece em clipes caseiros dizendo que “prefere ficar no estúdio a acordar em iate com gente que não confio”.
O público ganha um painel sobre como se constrói e desmonta um império dentro do show business, com o benefício adicional de ver o antagonismo sendo conduzido por quem viveu tudo de perto. Não há juízo moral pronto: a série apresenta documentos públicos, trechos de depoimentos e deixa quem assiste tirar as próprias conclusões sobre contratos, acusações de exploração e até sobre o impacto das redes sociais em transformar desavenças antigas em memes contemporâneos. Em vez de respostas finais, o projeto oferece um mapa de perguntas que ficaram no ar por duas décadas, agora organizadas num pacote ágil, cheio de música e com o tom de quem não tem medo de meter o dedo na ferida.
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