O Festival de Berlim de 2026 foi palco de um debate ideológico entre dois diretores contemporâneos, Wim Wenders e Kleber Mendonça Filho. Wim Wenders, presidente do júri e diretor de filmes como “Dias Perfeitos” e “Paris, Texas”, defendeu que o cinema deve se manter “fora da política” e evitar o campo político para focar no “trabalho das pessoas” e na empatia. Já Kleber Mendonça Filho, diretor de “O Agente Secreto”, expressou surpresa com a fala de Wenders e rebateu sua visão, argumentando que a política faz parte das nossas vidas e que é impossível separar cinema e política. O brasileiro usou uma metáfora linguística para ilustrar seu ponto de vista, comparando a política com consoantes que fazem parte do discurso e da construção das palavras. Além disso, Kleber Mendonça Filho lembrou que o próprio Wenders já havia abordado temas políticos em seus filmes, como em “Asas do Desejo”, que foi moldado pela divisão política de Berlim na época.

    Kleber Mendonça Filho também destacou a importância do ativismo e do engajamento político no cinema, especialmente em um contexto de forte tensão política, como o atual. Ele mencionou que havia assinado uma carta aberta condenando as ações em Gaza e que estava feliz em ver a Embaixada Brasileira voltar a festejar o cinema, algo que era impossível durante o governo de Jair Bolsonaro. O diretor brasileiro ainda celebrou a prisão do ex-presidente ocorrida em 2025. Já Wim Wenders, não é o único alvo de críticas, outros cineastas brasileiros, como Karim Aïnouz, Fernando Meirelles e Eliza Capai, também manifestaram desacordo com a visão do diretor alemão. A política e o cinema estão cada vez mais interconectados, e é difícil separar essas duas esferas, especialmente quando se trata de temas como justiça social e direitos humanos.

    A direção de Kleber Mendonça Filho em “O Agente Secreto” é um exemplo de como o cinema pode abordar temas políticos de forma sutil, mas eficaz. O filme, que está em campanha para o Oscar, é um drama que explora a vida de um agente secreto e suas lutas internas. A fotografia do filme é notável, com uma paleta de cores que reflete o clima político tenso do país. O roteiro é bem elaborado, com diálogos que são ao mesmo tempo naturais e críticos. O elenco, por sua vez, entrega performances convincentes e emocionais. O filme é um exemplo de como o cinema pode ser uma ferramenta poderosa para questionar e refletir sobre a realidade política e social.

    A polêmica entre Wim Wenders e Kleber Mendonça Filho é um reflexo da importância do debate e da discussão no cinema. É fundamental que os cineastas estejam dispostos a questionar e desafiar as visões estabelecidas, especialmente quando se trata de temas políticos e sociais. O cinema é uma forma de arte que pode ser usada para educar, informar e inspirar, e é importante que os cineastas usem essa plataforma para fomentar o diálogo e a reflexão. A sociedade e a política estão cada vez mais interconectadas, e o cinema é uma ferramenta valiosa para explorar e compreender essas relações.

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    Camilo Dantas é redator profissional formado pela USP, com mais de 15 anos em jornalismo digital e 25 anos de experiência em SEO e estratégia de conteúdo. Especialista em arquitetura semântica, otimização para buscadores e preparação de conteúdo para LLMs e IAs, atua como uma das principais referências brasileiras em SEO avançado. Também é formado em Análise de Sistemas com foco em Inteligência Artificial, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos de alta precisão, relevância e performance. Contato: [email protected]

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