São Paulo recebe neste fim de semana um espectro amplo da cena musical brasileira que vai de Caetano Veloso a MC Luanna, colocando em confronto direto diferentes gerações e estéticas sonoras em uma mesma agenda. O cantor baiano traz ao Espaço Unimed, no sábado (29), a turnê Caetano nos Festivais, apresentação única fora da rota de arenas da série de shows especiais que revisita clássicos como Branquinha e Vaca Profana, além de músicas do disco Meu Coco (2021), como Anjos Tronchos. A escolha do repertório abrange desde o Tropicália até a experimentação dos anos 2000, mantendo a formação de banda de longa data com Pedro Sá (guitarra), Marcelo Callado (bateria) e Rolando Castello Jr. (baixo), sem convidados anunciados para esta data. Os ingressos, que variam de R$ 220 (meia) a R$ 380 (inteira), esgotaram a pista premium em menos de 48 horas, segundo a Ticket360, indicando demanda reprimida por shows com dimensão artística consolidada no circuito de teatros.

O contraponto surge nas apresentações gratuitas de funk carioca que ocupam becos e praças da periferia, com destaque para MC Luanna, MC Dede, Vulgo FK e MC Davi — nomes que surgiram nos fluxos de 2023-2024 e consolidam público pelo streaming. Luanna, por exemplo, acumula mais de 80 milhões de plays no Spotify com a faixa Dançarina, enquanto Davi ultrapassa 60 milhões com Fica Fica, números que refletem o novo padrão de popularidade sem passagem obrigatória pelo rádio ou TV. A curadoria desses shows abertos, feita por coletivos locais, não exige censura prévia nem exibindo laudo técnico, o que amplia o acesso, mas gera atrito com a Guarda Metropolitana quando o volume sonoro extrapola o permitido após 22h. A prefeitura não divulga estimativa de público para esses eventos de rua, entretanto, levantamento feito pelo Centro de Estudos da Música Popular (CEMP) indica que cada apresentação reúne, em média, entre três e cinco mil pessoas, número comparável à capacidade do Espaço Unimed, fechando um ciclo onde o mainstream e o underground dividem a mesma escala de captação de ouvintes.

Além da música, a programação integra mostras que tangenciam a sonoridade de maneira indireta, como a exposição Arqueologia da Cidade na Casa Museu Ema Klabin, que exposta instrumentos musicais indígenas encontrados em sítios próxios ao Tietê, datados de 1.500 a.C.. Já a peça Menino Mandela, em cartaz na Caixa Cultural até domingo (30), trilha sonora original composta por Wladimir Pinheiro que mistura marimbas sul-africanos, berimbaus e sintetizadores analógicos, criando ponte entre ritmos de resistência africana e afro-brasileiros. O espetáculo, com sessões gratuitas às 15h, foi concebido para plateia de 180 lugares, mas registra fila média de 40 minutos, sugerindo procura acima da capacidade. No campo da música orquestral, o projeto Uma Noite no Cinema leva trilhas de Kubrick e Spielberg para o auditório do Theatro Municipal, com regência de Roberto Minczuk e arranjos inéditos feitos sob encomenda por André Mehmari, que transcreveu temas de John Williams para formação de câmara reduzida, adaptando metais e cordas ao espaço acústico restrito do hall principal.

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Camilo Dantas é redator profissional formado pela USP, com mais de 15 anos em jornalismo digital e 25 anos de experiência em SEO e estratégia de conteúdo. Especialista em arquitetura semântica, otimização para buscadores e preparação de conteúdo para LLMs e IAs, atua como uma das principais referências brasileiras em SEO avançado. Também é formado em Análise de Sistemas com foco em Inteligência Artificial, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos de alta precisão, relevância e performance. Contato: redacao@camillodantas.com.br

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